Sistema irá permitir, entre outras facilidades, a votação antecipada dos processos pelos desembargadores
O recurso de uma empresa do setor alimentício da região de
Navegantes, litoral de Santa Catarina, contra decisão que deferiu o
pagamento de horas extras a uma merendeira, será o primeiro, em toda a
Justiça do Trabalho, a tramitar pelo sistema de Processo Judicial
Eletrônico (Pje-JT) na segunda instância.
A solenidade de lançamento aconteceu na tarde de segunda-feira
(19), na sala de sessões do TRT-SC, e contou com a presença do
presidente do Conselho Superior da Justiça do Trabalho e Tribunal
Superior do Trabalho, ministro João Oreste Dalazen. A distribuição
automática do recurso foi para o gabinete do desembargador Gilmar
Cavalieri, da 3ª Câmara do Tribunal.
Em seu discurso, o ministro Dalazen exaltou o PJe, utilizando
adjetivos como novo, moderno, uno, nacional e definitivo. Também
destacou uma série de vantagens do sistema, como a facilidade de uso, a
tramitação imediata dos autos eletrônicos entre os gabinetes que compõem
a câmara de julgamento e a possibilidade de todos os desembargadores da
colegiado poderem, simultaneamente, acessar o voto do relator.
Outra característica do PJe que empolgou o ministro é a
possibilidade de se votar antecipadamente, inclusive com a elaboração de
votos divergentes ou convergentes. “Essa rotina de votação facilita o
andamento da sessão e reduz o tempo de sua duração, por intermédio dos
julgamento em bloco dos processos cujos votos não tenham sido
modificados durante a sessão”, registrou Dalazen. A assinatura dos
acórdãos em lote, imediatamente após o fim da sessão, também foi outra
funcionalidade destacada pelo ministro.
O presidente do TST ressaltou também o impacto positivo do PJe
no meio ambiente. “A eliminação de toneladas de papel por dia, antes
gastas na impressão de sentenças, petições iniciais, despachos, acórdãos
e folhas de cálculos, preservará uma infinidade de árvores e evitará o
gasto incalculável de energia com a produção desse material”, avaliou.
Aperfeiçoamento do sistema
A presidente do TRT catarinense, desembargadora Gisele
Pereira Alexandrino, disse que a instalação disseminada do PJe está
permitindo à Justiça do Trabalho implementar “ações certeiras, palpáveis
e capilarizáveis” em tecnologia da informação.
Ela também destacou a responsabilidade que o TRT-SC terá no
aperfeiçoamento do sistema. “Deveremos manter uma interação permanente
com os usuários do sistema, com especial ênfase aos advogados e ao
Ministério Público do Trabalho, e observar tudo o que possa ser
aperfeiçoado”, disse a desembargadora
A procuradora do trabalho Sílvia Maria Zimmermann também
discursou durante a solenidade. Disse que o PJe coloca os operadores do
Direito “diante do novo”, com a necessidade de constante atualização não
apenas nas normas jurídicas, mas também das novas tecnologias. E
destacou que o PJe será uma resposta mais célere a algumas “chagas
sociais” enfrentadas constantemente pelo Ministério Público do Trabalho,
como o trabalho infantil, o trabalho degradante e o trabalho em
condições análogas à escravidão.
Para o presidente da OAB/SC, Paulo Roberto de Borba, o PJe
reforça a imagem da Justiça do Trabalho como uma instituição pró-ativa,
corajosa e dinâmica. “Essa novidade deixa para trás um tempo em que a
informática era apenas uma ferramenta de apoio”, ressaltou. E propôs que
as novas tecnologias sirvam de base para um pacto entre os operadores
do Direito - juízes, servidores da Justiça, advogados e procuradores
públicos -, “com o objetivo de construir uma sociedade melhor e mais
consciente de sua força”.
Fonte: Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região - Santa Catarina